Cada vez mais os computadores estão substituindo o papel. Mas isso na verdade não vem ocorrendo como se apregoava há uns quinze ou vinte anos. O ser humano ainda continua apegado ao manuseio de papéis. Para ele, folhear relatórios, ler memorandos, rabiscar ao lado de uma listagem, continua sendo o preferido.
Nós ainda não nos habituamos a ficar horas na frente de um monitor de vídeo. Por mais tecnologicamente avançado que ele possa ser, ainda causa desconforto visual, e até postural, ficar sentado de frente a um computador por longo período.
Para as empresas o consumo de papel ainda é elevado, mas poderia ser muito maior, não fosse, como dissemos no início, o trabalho intenso do computador no armazenamento de dados e informações, diminuindo bastante a produção de relatórios, listagens e documentos em papel.
Diversos impressos e livros fiscais já foram substituídos por equivalentes em meio magnético nos computadores. O Governo já aceita inúmeros relatórios, para prestação de contas, no formato de arquivos que são transmitidos diretamente de computador para computador. Isso facilita sobremaneira os trâmites burocráticos desses dados, agilizando e agregando segurança. Mesmo para as pessoas físicas, esta prática vem crescendo. Podemos citar, como exemplo, a Declaração do Imposto de Renda. A Receita Federal tem estimulado o uso de disquetes e transmissão dos dados via Internet, torcendo o nariz àqueles que ainda fazem a declaração de ajuste em formulário.
Contudo, não são todas as empresas que dispõem dos recursos para trabalhar dessa maneira. Para milhões de médias, pequenas e micro empresas, além dos profissionais autônomos, ainda há a necessidade de registros comerciais em livros e impressos fiscais. Os tradicionais livros Modelo 1, 2, 3; Modelo 56, 57 etc.; Livro Caixa, Conta Corrente e inúmeros outros, ainda são bastante utilizados.
Por conta da diminuição da procura, a oferta também se reduziu. Muitas papelarias e livrarias, que comercializavam impressos e livros fiscais, não o fazem mais. Poucas são aquelas que mantém itens em seu mix de produtos. Conversamos com Paulo Roberto Rodrigues, proprietário da Papelaria Pergaminho, na Mooca, Zona Leste da Capital, que demonstra sua satisfação: “É uma paixão antiga desde o tempo que eu, mocinho, fazia implantação de sistemas nas empresas e, por consequência, conhecia todos os modelos de livros fiscais”.
Hoje a Papelaria Pergaminho mantém esses produtos em estoque e Rodrigues vai um pouco além. “Costumo orientar os iniciantes no uso desse material. Há pessoas que nem precisam deles, mas descobrem a importância de utilizá-los. Elas têm dificuldade em acompanhar duas ou três contas bancárias, mas ao utilizar-se de fichinhas de Conta Corrente, por exemplo, passam a ter um controle bem mais seguro”. E necessidades similares ocorrem também com pequenos e micros empresários, conclui.